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Inclusão de Microcervejarias no Simples

Amigos,

serão votadas amanhã, dia 1 de julho de 2015, pela Comissão Especial do Supersimples na Câmara dos Deputados, diversos projetos que alteram o Simples Nacional.

COVERSIMPLES

Dentre várias propostas, temos a ampliação do limite de faturamento para enquadramento, a redução do número de faixas de tributação, aumento progressivo na transição de faixas (como ocorre no imposto de renda).

Porém, a principal mudança para o setor cervejeiro seria a inclusão das Microcervejarias no grupo de empresas habilitadas a optar pelo Simples Nacional, proposta pelo Deputado Federal Covatti Filho (PP-RS).

Caso essa proposta seja aprovada teremos uma redução significativa na carga tributária de boa parte das Microcervejarias brasileiras.

Na minha opinião, esse seria um grande avanço, e aí sim tornaria mais justa a tributação das Microcervejarias – as “Micro” mesmo, com produção pequena e local. As mudanças recentes oneraram ainda mais o pequeno produtor, e a opção pelo Simples poderia ser a salvação para muitas pequenas cervejarias que já estão fazendo as contas para ver se ainda vale a pena continuar no mercado.

E você pode ajudar !

No final desse post deixaremos os e-mails dos deputados que podem ajudar, e você pode (ou melhor, DEVE) ajudar a mostrar a força do mercado cervejeiro, enviando um e-mail para os nobres deputados, mostrando os benefícios que as Microcervejarias trazem à sociedade.

Caso queira, deixamos até uma sugestão de e-mail que poderá ser encaminhada a cada um dos parlamentares !

Ajude ! Faça a sua parte !

Bons goles, e muita cerveja para todos, se for com tributação justa melhor ainda !

Lista de e-mails dos deputados que podem ajudar
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Exemplo de e-mail a ser enviados
Clique aqui !

Mais Mimimilho

Amantes da boa cerveja,

eis que uma velha discussão no mercado cervejeiro voltou a ganhar as mídias sociais nos últimos dias: a utilização de milho como adjunto nas cervejas.

Como tem acontecido muito nesse país – ou melhor, nesse planeta – tudo tem virado um “Fla-Flu”, uma discussão generalizada com dois lados tecendo críticas e trocando agressões, muitas vezes com profunda falta de respeito.

Eu, particularmente, acho que cada um é de dono de si, e tem o direito de fazer suas próprias escolhas – e isso inclui o direito de produzir e vender cervejas que levam milho em sua composição, pelo lado do produtor, e de comprar e consumir cervejas que levem milho, pelo lado do consumidor.

Ponto. Simples assim.

Esse assunto ressurgiu, mais uma vez (parece o Jason) quando a Wäls divulgou nas redes socias que está elaborando uma nova receita de IPA, a HopCorn IPA, que levará em sua composição 15% de milho. Tecnicamente falando, ela levará High Maltose, uma espécie de xarope de glicose de milho, que possui alta fermentabilidade e ajuda a aumentar o teor alcoólico da cerveja.

Bora fazer uma IPA ?
Bora fazer uma IPA ?

Como é uma IPA, e espera-se que o astro numa cerveja desse estilo seja sempre o lúpulo, eles utilizarão Amarillo, Columbus e Cascade, e a cerveja ainda passará por dry hop de Centennial.

Bastou a divulgação dessa notícia que o tema, mais uma vez, começou a gerar um grande Mimimi, com inúmeras críticas (e piadas) com relação à utilização do milho nessa nova receita.

Pois bem !

IPA sempre fou um estilo muito controverso, pois devido à sua popularidade sempre surgem variações – como as Black IPA ou as Rye IPA, por exemplo – e a nova revisão do BJCP, um guia de estilos bastante difundido no mundo, trouxe uma inovação: o estilo 21B está classificado como “Specialty IPA”, e já elenca as principais variantes encontradas com mais facilidade mundo afora. Esse guia destaca as seguintes variantes de IPA: Belgian IPA, Black IPA, Brown IPA, Red IPA, Rye IPA e White IPA.

Entretanto, a maior inovação dessa nova divisão, na minha visão, foi a flexibilização deixada pelos autores do guia, que já sugerem que novas variantes de IPA poderão ser acrescentadas no futuro, como por exemplo uma St. Patrick’s Day Green IPA, citada no próprio guia BJCP como um exemplo de candidata futura a ser promovida a uma Specialty IPA catalogada no BJCP, e de como utilizar essa categoria “guarda-chuva” para abranger novas variedades do estilo IPA com o passar do tempo.

Isto posto, vamos à análise da Rye IPA, um estilo bastante difundido, tendo sido produzido até mesmo aqui em São Paulo, pela cervejaria Urbana uns tempos atrás.

Segundo o BJCP, o estilo Rye IPA pode ser produzido com malte Pale Ale como base e de 15% a 20% de centeio.

Aí eu deixo a pergunta: por que essa discriminação com o milho? Por que 15% de centeio pode, e 15% de milho não pode?

E a reposta a essa pergunta pode passar, a meu ver, por uma série de conjecturas.

Será que é pelo fato da grande indústria cervejeira ter, desde sempre, não só usado, mas sim abusado do milho, não em receitas mais nobres como IPAs, mas em cervejas de massa como as Light Lager de mercado? Será que essa massificação acabou, por assim dizer, “denegrindo” a imagem do pobre vegetal?

Não é nenhum segredo que, no final das contas, qualquer empresa visa o lucro. O objetivo de qualquer organização é o lucro. E não é segredo pra ninguém que a introdução do milho (e o arroz?) foi sim para baixar os custos de produção. Foi sim pra conseguir atingir um teor alcoólico satisfatório com o mínimo de custo possível, porém sempre respeitando a legislação, ou seja, colocando o mínimo de malte possível para poder chamar aquela bebida de cerveja.

Aquela conversa de que o paladar brasileiro pede uma cerveja leve é balela, conversa pra boi dormir. Cerveja com corpo leve pode ser feita só com malte, poderíamos ter uma Kölsch, por exemplo. A suposta preferência dos brasileiros por cervejas mais leves acaba sendo uma desculpa para o abuso desses adjuntos que, além de conferir menos corpo à cerveja, ainda barateiam, e muito, o custo de produção.

Foram eles próprios que, ao priorizar o lucro em detrimento da qualidade, acabaram por tornar o pobre do milho o vilão da história.

Não é o milho o vilão. O vilão é o ser humano. É a ganância.

Por fim, achei bastante ousada a atitude da Wäls – ou melhor, da Ambev – de mexer num vespeiro ao produzir uma IPA com milho, pois amantes de IPA, em geral, são bastante apaixonados por sua cerveja, e muitas vezes essa paixão acaba se sobreponto à razão.

De minha parte, experimentarei a cerveja com bastante curiosidade. O que vale, no final das contas, é ter uma boa cerveja para degustar. Se ela for sensorialmente boa, tiver um preço razoável, for uma boa IPA e agradável de se beber, que me importa se levou 15% de milho em sua composição?

Aliás, está sendo bastante divulgado o percentual de milho – 15% – nessa cerveja !

Portanto, pra finalizar, fica aqui um desafio à Ambev: se, ao adquirir a Wäls, e ao lançar uma IPA com milho em sua fórmula, eles não se constrangem em divulgar o percentual de milho utilizado, por que não fazer o mesmo com TODAS as suas cervejas?

Como eu disse, respeito todas as opiniões, e acho que no mercado tem espaço para todos.

Mas uma das críticas que tenho às grandes cervejarias é a falta de transparência: como já disse, não vejo problema nenhum na produção e comercialização de cervejas que levem quanto milho for em sua fórmula. Mas por que raios isso não é divulgado, de maneira transparente, no rótulo de cada cerveja?

Querem fazer, que façam ! Dou todo o apoio ! Mas que seja de uma maneira transparente e honesta com seus clientes !

Vai, Ambev ! Faça isso ! Inove ! Coloque os percentuais de malte e de adjuntos (especificando cada um deles) nos seus rótulos !

Com certeza ganhariam muitos pontos no conceito de muita gente por aí ! Eu sou um deles ! Transparência e respeito com os clientes nunca é demais ! E se essa atitude fosse espontânea, e não decorrente de alguma lei obrigando a fazer isso, a atitude seria ainda mais louvável !

Bons goles a todos, seja cerveja com milho ou puro malte

Bora lá? #PARTIUEATALY

Amantes da boa cerveja,

com algum atraso seguem minhas primeiras impressões sobre o Eataly, cuja inauguração ocorreu na terça-feira, dia 19 de maio de 2015, a partir das 12:00 hs.

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Na minha humilde opinião, a inauguração desse estabelecimento é um marco no turismo gastronômico paulistano.

O primeiro cartão de visitas que o Eataly me apresentou foi sua singela contribuição ao já caótico trânsito da Avenida Juscelino Kubitscheck. Quem frequenta a região, conhece bem o malfadado semáforo que fica no cruzamento dessa avenida com a Faria Lima, e deve saber também que esse semáforo costuma quebrar com mais frequência do que o carro do Rubinho Barrichello quebrava quando ele ainda corria na F1…

E, adivinhem: no dia da inauguração do Eataly – ou melhor, praticamente NA HORA da inauguração, o semáforo resolveu falhar de novo – a inauguração ocorreu por volta das 12:00 hs, e por volta das 13:00 hs o semáforo ainda apresentava problemas. O resultado disso pode ser visto na foto abaixo: o CAOS.

Na pista sentido Marginal, o trânsito era causado apenas pelo semáforo quebrado. Na pista contrária, somava-se a tudo isso a grande quantidade de carros que ia para a inauguração do Eataly. Um trânsito caótico que coloca em prova a paciência de qualquer monge zen-budista.

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Vejam a cara da motorista… é ou não é um exercício de paciência?

Eu, feliz da vida, seguia a pé, apenas observando o trânsito e batendo fotos, até que me deparei com a fila de pessoas que aguardavam para adentrar o Eataly: em pé, sob um sol que ardia forte, dezenas de pessoas aguardavam a liberação para poder entrar.

Felizmente – e inexplicavelmente – a fila andou bem rápido, e depois de poucos minutos eu iniciava minha jornada pelo maravilhoso mundo gastronômico da culinária italiana.

Tudo era muito novo, e o cheiro de cimento e do pó era bastante perceptível, via-se que a inauguração estava sendo feita às pressas.

Mas tudo isso ficava em segundo plano, e era plenamente compensado pelo clima e pela vasta oferta de produtos, pelos restaurantes, por tudo: o Eataly é algo um pouco indescritível, tem que conhecer para entender o que ele significa. É uma mistura de supermercado com Mercado Municipal, com Shopping Center, com cafeteria, com padaria, peixaria, açougue, restaurante, praça de alimentação… Tem até uma parte, no piso inferior, com livros sobre comida, bebidas, gastronomia ! Tudo lá respira gastronomia italiana !

O lema do lugar é: “We cook what we sell, and we sell what we cook.” Ou seja, segundo os administradores do local, tudo o que pode ser consumido no local, nos restaurantes, bares e cafés, existe também no mercado para ser levado para casa. Existe no local açougue, peixaria, padaria, rotisseria, sorveteria, cafeteria, enfim, é muito provável que esse lema esteja correto, pois a chance de você encontrar qualquer ingrediente culinário por lá é bastante alta.

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Olha o tomate !

O andar inferior é um enorme mercado, onde pode-se encontrar muitas coisas: comidas, temperos, frutas, legumes. Uma mistura interessante de “Feira Livre Gourmet” com Shopping Center. Os produtos aparentam ser da melhor qualidade, e os atendentes são cordiais e atenciosos.

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Gourmetização da Feira Livre

Nesse andar também fica o Nutella Bar, uma espécie de bar especializado em Nutella, onde são vendidos diversos produtos feitos com Nutella, como brioches, pães e crepes. O rótulo dos potes de Nutella também são personalizados, com o nome da cidade de São Paulo estampado.

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Funcionará no Eataly também a La Scuola Di Eataly, um espaço reservado a cursos, degustações direcionadas, aulas e palestras culinárias, com a presença de algum Chef ou Sommelier renomado. A grade horária com os cursos e palestras deve ser disponibilizada nos próximos dias !

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Mas vamos ao que nos interessa, que são as cervejas: elas podem ser encontradas no segundo andar, num local que funciona como uma espécie de adega, com cervejas e vinhos, onde os clientes podem comprar e levar para casa, e também podem ser degustadas nos diversos restaurantes do estabelecimento, sendo que cada um possui sua própria seleção de cervejas.

Os restaurantes do empreendimento, que ficam em sua maior parte no segundo andar, na inauguração estavam todos lotados, com fila de espera média de 45 minutos a 1 hora.

Os corredores próximos aos restaurantes geravam um pouco de ‘trânsito’, com passagens bem estreitas – mas nada que comprometesse o clima de euforia das pessoas que faziam suas compras ou suas refeições no local.

Com relação aos preços praticados, nada que assuste às pessoas que já estão acostumadas com os preços de refeições de qualidade em bons restaurantes na cidade de São Paulo. Existem pratos com diversas opções de preço.

A Porchetta do La Rosticceria Di Eataly, por exemplo, que estava muito bonita e dava até água na boca, custava por volta de R$40.

Levando-se em conta que uma promoção no Mac Donalds custa mais de R$20, em geral os preços praticados no Eataly são razoavelmente justos. Eles possuem opções para diversos tipos de ‘bolso’, com itens com preços atrativos misturados a itens mais caros.

Voltando ao nosso foco principal, as cervejas, a seguir daremos uma ideia de uma parte dos rótulos que podem ser encontrados no local, destacando o preço de alguns desses rótulos:

Cervejas e mais cervejas a perder de vista !
Cervejas e mais cervejas a perder de vista !

Júpiter, com suas American Pale Ale e American Pale Ale Australiana (R$15,50, 300 ml), IPA e Meia-Noite Porter (R$13, 300ml);

Cervejaria Nacional, com a Y-iara Pilsen (R$7,90, 310 ml), Kurupira Brown Ale (R$17,90, 600ml), Sa’Si Stout(R$10, 310ml), Mula IPA(R$20, 600ml) e Domina Weiss (R 8,70, 310ml);

Cervejaria DUM: Karel IV(R$27,90), Jan Kubis(R$18,90);

Cervejaria Wals: Session Citra (R$21,50), Petroleum, Wals 42(R$26,50), Niobium(R$21,50);

Cervejaria Tormenta: Hoppy Day(R$23,50),  Hoppy Night(R$26,90);

Morada Cia Etílica: Double Vienna(R$22), Gasoline Soul (R$20);

Serra de Três Pontas: Branca de Brett (R$18,50, 300ml), Cafuza (R$18,50, 300ml), Touro Sentado;

Urbana: Bergamosh (Lançamento, R$12,95, 300ml), Sporro (Promoção, R$ 9,20, 300ml), Refrescadô de Safadeza, Piscadinha (R$ 11,90, 300ml), Boo (R$ 12,79, 300ml), La Sorciére (R$ 13,50, 300ml), Trem Bão, Fio Terra, Trimiliqui, Prima Pode, Gordelícia;

Invicta: Invicta Imperial IPA (R$18,90, 500ml), Invicta India Black Ale (R$ 17,50, 500ml);

Backer: Três Lobos Tommy Gun (R$ 16,50, 355ml), Três Lobos Corleone (R$ 16,50, 355ml);

Burgman: Cosmonauta (R$ 12, 600ml)

Coruja: Baca (R$13,50, 300ml), Coice (R$ 13,50, 300ml);

2 Cabeças: Funk IPA (R$ 22, 500ml) e Maracujipa (R$ 23,50, 500ml);

Mistura Clássica: Bill’s Beer (R$ 20,50, 500ml) e Amnésia (R$ 20,90, 500ml);

Baladin: Super Bitter (R$ 25,30, 330ml), Nazionale (R$26, 330ml), Isaac (R$ 26, 330ml), Fumè XYAUYÚ (com lata decorativa muito bonita, de R$ 286 por R$ 239, 500ml);

Madalena: American Pale Ale (R$ 10,50, 355ml), American Wheat (R$ 10,50, 355ml) e Bohemian Pilsner (R$ 9,90, 355ml);

Schornstein: IPA (R$ 18,90, 500ml), Imperial Stout(R$ 25,90, 500ml);

Tupiniquim: Anunciação IPA (R$ 18, 310ml), Polimango (R$ 18, 310ml) e Monjolo Imperial Porter (R$ 20,50, 310ml);

Esses são só alguns dos exemplos dos rótulos que podem ser encontrados no local. Existem muitos outros, mas nosso objetivo não é trazer a carta completa e sim apenas mostrar como a variedade de rótulos ofertados será muito grande no Eataly.

Como exemplo das cartas de cerveja disponíveis para consumo no local, no restaurante, o La Rosticceria Di Eataly, no segundo andar, as cervejas encontradas no dia de inauguração eram as seguintes:

Em chope
Paulistânia R$ 7,80, 300 ml;
Barbante    R$ 9,80, 250 ml – uma Weiss com a receita elaborada pela Academia Barbante de Cerveja, instituto que será responsável pelas aulas da Scuola e pela cervejaria principal, localizada no restaurante Brace, no terceiro andar;

Em garrafa
Nacional SaSi Stout (R$ 18, 310 ml, Stout, 4,6%)
Nacional Mula IPA   (R$ 20, 310 ml, India Pale Ale, 7,5%)
Urbana Gordelícia (R$ 20, 300 ml, Strong Golden Ale, 7,5%)
Urbana Bergamosh (R$22, 300 ml, Mild Ale, 3,7%)
Birra Del Borgo Duchessa (R$34, 330 ml, Saison, 5,8%, )
Birra Del Borgo Reale (R$34, 330 ml, India Pale Ale, 6,4%)
Baladan Isaac (R$36, 330 ml, Belgian White Ale, 4,5%)
Baladan Nora (R$36, 330 ml, Egyptian Ale, 6,8%)

No terceiro andar do empreendimento, funcionará o mais formal dos restaurantes do Eataly, o Brace. Ele é o mais formal não no quesito requinte ou glamour, mas sim no sentido de que oferecerá um menu europeu mais clássico, com opções de entrada, primeiro prato e segundo prato, mas sempre a gosto do cliente.

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Vista do Brace, no alto, terceiro andar

Anexo ao Brace existirá um bar e uma cozinha cervejeira plenamente funcional, que será pilotada pela Academia Barbante e fará cervejas que serão servidas no local, no estilo de um Brewpub.

Quando estive por lá, no dia da inauguração, o Brace ainda não estava aberto ao público (ele abriria por volta das 18:30, e estive por lá na hora do almoço), e muita coisa ainda estava sendo feita. Uma grande quantidade de pessoas trabalhando, furando, serrando, montando, correndo para que tudo estivesse pronto para a inauguração, que seria dali a algumas horas.

No Brace, nessa noite inaugural, seriam servidas as seguintes opções de cerveja On Tap, ou seja, em formato de chope:  Paulistânia, Barbante Weiss, Urbana Gordelícia Strong Golden Ale, Urbana Bergamosh Mild Ale, Baladin Nazionale, Baladin Super Bitter, Nacional Mula IPA e Nacional Sa’Si Stout.

Detalhe da chopeira do Brace para o dia de inauguração
Detalhe da chopeira do Brace para o dia de inauguração

Amigos, o Eataly tem tudo para se tornar um novo pólo cervejeiro em São Paulo, como o EAP ou o Delirium Bar.

Até mais do que isso, ele deve se tornar um ponto turístico praticamente obrigatório para quem esteja de passagem por nossa cidade. Uma referência na área gastronômica paulistana !

Ficam todos convidados para conhecer o Eataly e, se nos encontrarmos por lá, podemos tomar um chope no Brace !

Bons goles e até a próxima !

Um duro golpe à cerveja artesanal

Amantes da boa cerveja,

hoje pela manhã, vi na CAPA do jornal o Estado de São Paulo que estava jogado no capacho do meu vizinho, duas cervejas que fazem parte da minha história: a Urbana Gordelícia e a DUM Petróleum.

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Sempre quis ver essas cervejas na capa do jornal, mas não dessa maneira – como eu já sabia que o Decreto que aumenta a carga tributária das cervejas estava por vir, sabia que a notícia não deveria ser boa.

Pois bem.

Mudou muita coisa. Mudou a maneira como o imposto é cobrado das cervejarias. Mudou, em parte, os responsáveis pelo recolhimento do imposto.

Só não mudou uma coisa: a gana do governo em praticamente estorquir, achacar, exaurir um mercado incipiente, ainda em fase de desenvolvimento, mau saído dos cueiros (como dizia a minha avó) e que, quando muito, representa por volta de 1% do mercado de cervejas: é o mercado das cervejas artesanais.

Um sem-número de micro cervejarias, que mal acabou de nascer, corre o risco de morrer ainda no ninho.

E isso não se restringe às cervejarias: a situação não fica boa também para importadores, distribuidores, pontos de venda – enfim, toda a cadeia ligada à produção, distribuição e venda de cervejas artesanais.

Eu conheço algumas lojas que já fecharam as portas essa semana, e a situação tende a piorar.

Mas vamos aos fatos !

Antigamente, o cálculo do imposto era feito levando-se em conta uma espécie de tabela, que era chamada de ‘pauta’.

O governo, de tempos em tempos, atualizava essa tabela, mas devido à morosidade e à incompetência com que as coisas acontecem no governo, a atualização dessa tabela era falha.

Uma cervejaria, ao surgir no mercado, não era ‘pautada’ – não fazia parte dessa lista – e só passava a fazer parte dessa lista quando chamasse a atenção, ou quando fosse feita uma nova atualização, o que gerava uma injustiça na cobrança dos tributos: quem era pautado pagava uma carga de tributos muito maior do que aquelas cervejarias que não faziam parte da pauta.

Com o novo decreto, passou-se a calcular o valor dos tributos diretamento sobre o valor da nota.

Entendo que essa mudança é, até certo ponto, justa, porque faz com que a regra seja a mesma para todos: se antes existiam cervejarias que se beneficiavam pelo fato de não estar na pauta para pagar impostos muito menores, agora a mesma regra é aplicada para todas as cervejarias.

O decreto elenca, ainda, algumas situações em que as cervejarias poderão ter descontos nos tributos (quem diria!):
- Artigo 7º: desconto de 22% no IPI para o exercício de 2015 e de 25% para o exercício de 2016;
- Artigo 33: desconto nas alíquotas de PIS/Pasep, Cofins, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação de acordo com o tamanho das embalagens estabelecidos no ANEXO III: menos de 400 ml tem 20% de desconto em 2015, 15% em 2016 e 10% em 2017. Já as embalagens maiores que 400 ml terão descontos de 10%, 5% e 5% respectivamente para cada exercício;
 – Artigo 8º:  desconto no IPI de acordo com a produção determinada no ANEXO II
– até 5 milhões de litros/ano, 20% de desconto no IPI
– 5 a 10 milhões de litros/ano, 10% de desconto no IPI

Mas o que não fica claro ao público em geral é que esses descontos incidirão sobre o NOVO valor do imposto que, para a ESMAGADORA maioria das cervejarias, representa um aumento de mais de 500% !

Eu entendo que o final da ‘pauta’ é uma correção de uma injustiça histórica, onde algumas empresas eram tributadas de uma maneira e outras eram tributadas de uma maneira muito mais vantajosa. A pauta era uma desvantagem competitiva para as cervejarias pautadas, e o final dessa pauta SERIA um avanço.

SERIA se não estivéssemos trocando uma injustiça por outra injustiça AINDA MAIOR.

De que adianta sufocar o pequeno produtor, o nano produtor, matar o pequeno negócio, matar o empreendedor brasileiro?

Vejo apenas dois motivos para a criação dessa legislação:

1 – Se o problema fosse apenas a injustiça gerada pela ‘pauta’, que ela fosse finalizada, mas que fossem criadas N faixas para recolhimento de impostos, com incentivos proporcionais ao tamanho de cada empresa. E isso teria que ser feito de acordo com a realidade do mercado, e não de acordo com o devaneio do legislador que escreveu essa lei sem conhecer esse mercado a fundo.

2 – Se o objetivo do governo fosse apenas gerar mais receita para cobrir os rombos gerados por sua incompetência, a atitude tomada foi ainda menos acertada: seria muito melhor taxar um pouco mais os outros 99% do mercado, pois o valor arrecadado seria muito maior.

Mas vai mexer no bolso da Ambev e do Grupo Petrópolis, doadores de fortunas para as campanhas de TODOS os políticos…

No caso dos descontos concedidos pelo Decreto, por exemplo, quando se criam apenas duas faixas (até 5 milhões de litros/ano e de 5 a 10 milhões de litros/ano), estamos colocando na mesma faixa simplesmente a Colorado, uma das maiores micro cervejarias do Brasil e que produz por volta de 2 milhões de litros/ano, e a Júpiter, por exemplo, que produziu por volta de 100.000 litros em um ano. Ou a Serra de Três Pontas, cervejaria que produziu por volta de 15.000 litros no último ano. É simplesmente ridículo ! E, no meu entendimento, muito, MUITO injusto.

E se a Colorado, uma das maiores micro cervejarias, produz apenas 2 milhões por ano, qual a razão prática da criação de uma faixa de 5 a 10 milhões/ano? Não seria muito melhor privilegiar o trabalho das micro / nano cervejarias criando micro-faixas?

Para acabar com a injustiça da pauta sem criar outra injustiça ainda maior, o governo deveria criar faixas de tributação para a micro cervejaria de verdade, a nano cervejaria, faixas que variassem a cada 100.000 ou 200.000 litros, e que permitissem ao pequeno negócio crescer e, na medida em que vai crescendo, passaria a contribuir mais. E essas faixas não deveriam ser usadas para concessão de descontos, e sim para a tributação com uma alíquota justa.

Simples assim.

Mas parece que o Governo não quer. Talvez seja incompetência, talvez seja má-fé. Talvez, ao invés de pensar no que é melhor para a sociedade, o governo esteja pensando no que é melhor para as empresas que financiaram suas campanhas sujas.

O governo prefere sufocar um mercado que representa apenas 1% do total. Um mercado que gera empregos – proporcionalmente maior que as grandes cervejarias, em número de vagas/litro produzido – um mercado que fomenta a cultura local, um mercado que fomenta o turismo, que promove o consumo responsável de bebidas, que preza pela qualidade de seu produto. O governo prefere sufocar esse mercado a fazer seu trabalho de uma forma decente, tributando de maneira justa as micro empresas.

Mas costumo dizer que isso é normal por aqui, afinal de contas eu, o Silvio Santos e o Eike Batista estamos todos na mesma faixa de IR. Se o governo é injusto com as pessoas físicas, por que seria justo com as jurídicas?

Agora, o mais bizarro dessa lei – e que mostra que o governo está mesmo LONGE de compreender esse mercado – é que esses descontos mencionados acima valem apenas para cervejas especiais, ou seja, “a cerveja que possuir 75% (setenta e cinco por cento) ou mais de malte de cevada, em peso, sobre o extrato primitivo, como fonte de açúcares” (segundo o decreto, por favor, hein?).

Segundo esse decreto, uma Weissbier que leva 50% de malte de trigo, ou uma Witbier que leve 25% desse cereal não são consideradas cervejas “especiais”.

Já se a AMBEV colocasse um pouco mais de malte na Skol (um pouco muito), e mantivesse todo o restante do processo, com “pedaladas” na fermentação, corantes, conservantes e tudo o mais, ainda assim ela passaria a ser especial segundo o novo decreto.

Enfim, isso é Brasil.

Espero, de coração, que todos meus amigos cervejeiros consigam sobreviver a esse período de turbulência, que tomara não dure muito.

Espero que os envolvidos na elaboração desse Decreto percebam o engano que cometeram (ou se envergonhem, caso tenham feito isso por Lobby das forças ocultas) e que em breve modifiquem esse decreto, facilitando a vida de quem quer empreender no mercado cervejeiro e seguir dentro da lei.

Os cervejeiros, hoje em dia, aqui no Brasil, são H-E-R-Ó-I-S !

E, pelo menos os que conheço, sabem do respeito que tenho por eles, que lutam contra tudo e contra todos, matam dois leões por dia, e ainda assim persistem nesse mercado muito mais por amor à cerveja do que por amor ao dinheiro.

Bons goles, meus amigos, e aproveitem pra tomar cerveja boa enquanto ainda tem !

Obrigado, governo do brasil !  Obrigado, AMBEV !

Para quem quiser ler esse malfadado decreto na íntegra, clique aqui e boa sorte !

Concurso Interno ACervA Paulista 2015: Como foi

Amantes da boa cerveja,

com algum atraso, segue o relato de como foi o julgamento das amostras do V Concurso Interno da ACervA Paulista, que ocorreu no sábado, 18 de abril de 2015.

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Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer à ACervA Paulista, associação de cervejeiros caseiros da qual faço parte desde 2009, e que tem sido de fundamental importância no meu desenvolvimento como cervejeiro. Agradeço a oportunidade de, mais uma vez, poder fazer parte do júri do concurso interno.

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Eu, à direita, de óculos e camiseta preta da ACervA Paulista, no meio dos outros juízes

Gostaria também, agora em nome da ACerva Paulista, de agradecer a cada um dos juízes, pessoas que se dispuseram a acordar cedo num sábado de feriado prolongado e doar parte de seu tempo livre para a nossa associação, sem levar nada em troca, além de uma cerveja e um escondidinho no Food Truck:

Alex Moraes
Alex Wirz
Alexandre Mapeli
Antonio Carlos Petto Junior
Daniel Tortella
David Michelsohn
Douglas Giacomini
Fernando Baggio
Fernando Carvalho
Filipe Richter
Fill Cruz
Frank Skwirut
Fred Lima
Fred Ming
Giuliano de Matos
João Amstalden
José Augusto Procópio
Luis Celso Sniecikoski Junior
Luis Nascimento
Marcelo Breda
Roberta Tsustsui
Rodrigo Turini
Ronaldo Rossi
Saul Caffarena
Saulo Tavares
Suelen Brugni
Tegnus Franciscus Lamas

A ajuda e o conhecimento de todos foi de suma importância para a realização do evento, e um grande mérito da organização do evento foi conseguir um bom número de juízes certificados BJCP, o que trás maior credibilidade para o resultado do concurso. Cada uma das sete mesas pode contar com um juiz certificado, que foram os seguintes: David Michelsohn, Fred Ming, Giuliano de Matos, Luis Celso Sniecikoski Junior, Luis Nascimento, Marcelo Breda e Roberta Tsustsui.

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Juízes analisam suas amostras

Além dos juízes, foi de fundamental importância a ajuda do pessoal da organização do evento, que contou com a ajuda das seguintes pessoas:

Eduardo Eloi
Marcos Caio Vicentin
Gilberto Grassi Filho
Gustavo José Ferreira de Almeida
Luiz Biagi
Rodrigo Rosa

Pois bem ! Foi um dia de trabalho bastante cansativo ! Para aqueles que acham que participar de um concurso como esses é mais ou menos como passar o dia bebendo, farei uma breve descrição de como foi o dia como um todo !

O horário marcado para a apresentação dos juízes era por volta das 09:30 da manhã, embora muitos tenham se apresentado bem antes disso, e foi gasto certo tempo na montagem das mesas, preparação do espaço para o julgamento e ajuste dos últimos detalhes.

Antes de iniciarmos os trabalhos, foi feita uma breve apresentação sobre alguns pontos importantes para o BJCP, com algumas informações e dicas de como proceder durante o julgamento das amostras. Tudo o que foi apresentado aos presentes foi retirado de documentação oficial do BJCP, e foi importante principalmente para aqueles que estavam participando pela primeira vez de um julgamento.

Após essa breve palestra inicial, deu-se o início da avaliação das amostras, por volta das 11:00 hs da manhã ! Tínhamos um longo caminho pela frente, pois teríamos que avaliar 65 amostras de cerveja !

Como o concurso abrangia todas as categorias do BJCP, o pessoal da organização do evento procurou, na medida do possível, iniciar o julgamento com as amostras de estilos mais leves e menos marcantes em termos sensoriais, e ir evoluindo de maneira gradativa.

Dessa maneira, nossa mesa começou uma amostra do estilo Witbier, e terminaria com uma Russian Imperial Stout.

Entretanto, devido a atrasos e ao fato de ainda restarem algumas amostras a serem julgadas quando já tínhamos acabado nossas amostras, recebemos ainda uma Specialty Beer e uma Berliner Weisse para fechar a conta !

Como muito tempo tinha transcorrido desde o início das atividades, ofereceu-se a possibilidade de uma pausa para almoço para aqueles que assim preferissem, ou então a possibilidade de finalizar o julgamento de todas as amostras da mesa e só então parar para comer (e beber!) alguma coisa.

Sim, beber, porque uma coisa é avaliar, outra é beber pelo simples prazer de tomar uma boa cerveja ! (Mesmo depois de julgar 10 amostras… hehehe)

Algumas das mesas optaram por parar para o almoço, outras optaram por continuar (foi o caso da nossa), e assim seguimos trabalhando até por volta das 16:00hs, sem parar para um descanso ! Cansativo ! Gratificante, interessante, produtivo, mas bastante cansativo !

A avaliação da amostra não se resume a apenas tomar um gole e detectar eventuais falhas na cerveja, mas envolve uma análise criteriosa da cerveja, discussão com  os demais membros da mesa, e preenchimento manual de uma ficha de avaliação.

Tudo isso feito numa mesa pequena, com quatro pessoas, cada uma com pelo menos dois copos cheios – um de cerveja, um de água – oito copos, duas garrafas, muitos papéis, canetas, lápis, celulares.. um ambiente própício a dar uma meR$# lascada… hahaha (quem me conhece, sabe da minha deficiência em manter líquidos dentro de copos, ou tomo logo ou acabo derrubando sem querer… se for café no escritório, então, já é melhor servir logo na mesa, eu ganho tempo, porque mais cedo ou mais tarde o café vai acabar lá mesmo… hehehe)

Enfim, depois de um longo dia, tivemos a divulgação das 5 maiores notas, que foram as seguintes:

1° Fábio Belardinelli – 13d – Foreign Extra Stout
2° Leornardo Saridnha – 14B – American IPA
3° Ricardo Francisco Simoni – 7C – Dusseldorf Altbier
4° Diogo Natale – 1C – American Premiun Lager
5° Evandro Sanches da Silva – 13F – Russian Imperial Stout

Com relação a notas, gostaria de fazer algumas considerações pessoais.

Eu não participei da organização do concurso desde o início, passei a ajudar o pessoal da organização mais para o final, e não participei da elaboração do regulamento.

A divulgação das notas mais altas, no meu ponto de vista, nos remete a um ranking, onde temos o campeão, o segundo colocado, o terceiro, e assim por diante. Entretanto, quando se misturam amostras de diferentes mesas, nos deparamos com um fator que, embora seja normal, pode gerar alguns questionamentos no tocante às notas:  esse fator é a ‘falta de padrão‘.

A melhor maneira de se chegar a um campeão num concurso cervejeiro é a degustação, novamente, das amostras com maiores notas, numa mesa Best of Show, para que todas sejam avaliadas novamente pelo mesmo conjunto de juízes, e se chegue a um consenso sobre qual das amostras é a melhor. É muito comum, inclusive, que uma amostra seja campeã mas tenha um número menor de pontos, da primeira rodada, do que as demais. Tudo isso é normal e precisa ser entendido pelos participantes dos concursos.

E, por favor, não entendam essa ‘falta de padrão’ como algo negativo. Foi apenas um nome que dei a algo que é inerente à subjetividade do ser humano, algo que somente com muito treinamento, muita conversa, muita orientação e muita experiência poderá ser minimizado. Eu digo minimizado porque, erradicado, na minha opinião, é praticamente impossível.

Isso decorre do seguinte motivo: o ser humano, ao julgar algo, tem que levar em consideração, na minha opinião, quatro fatores, e lidar ainda com um quinto, que aparece ao longo do julgamento:
- Fatores objetivos:  a regra de um jogo de futebol, a legislação vigente, e no nosso caso o guia do BJCP;
- Fatores subjetivos: a opinião inerente a cada um, a subjetividade de cada um, desde que respeitando as regras objetivas descritas acima;
- Limitações:   as limitações, físicas e de conhecimento, podem fazer a diferença num julgamento. No caso de uma cerveja, que envolve basicamente percepções sensoriais, as limitações físicas são de extrema importância. Por exemplo, algumas pessoas são muito sensíveis a determinados compostos, porém tem dificuldade ou mesmo não possuem sensibilidade a outros. Isso é comum, os juízes tem que aprender a lidar com isso, e é interessante que cada juiz de cerveja conheça suas limitações, principalmente se não possuir sensibilidade a determinado componente;
- Experiência: quanto mais experiente for o juiz, mais ele terá a vivência para tomar a decisão correta no momento certo.

O quinto fator, que o juiz deve lidar ao longo do julgamento, é o cansaço: é fisicamente desgastante passar seis horas sentado numa cadeira(nem sempre confortável, que o diga Ronaldo Rossi), escrevendo (nem sempre com espaço suficiente) e tentando fazer uma letra minimamente compreensível.

Todos esses fatores em conjunto podem gerar discrepâncias nas notas dos juízes, e pequenas – ou até ‘médias’ – diferenças de nota são perfeitamente aceitáveis. Na minha opinião, os dois fatores que mais surtem efeito na padronização dos julgamentos são dois – estudo e experiência.

É altamente provável que, quanto mais experientes forem os juízes, menores serão as diferentes gritantes nas notas. Se as mesas fossem todas compostas de juízes certificados BJCP com nível ‘National’, tenho certeza de que as diferenças ficariam dentro de uma margem de erro aceitável pelo BJCP, que é de 7 a 8 pontos.

É importante que fique claro que isso existe em qualquer tipo de julgamento, não apenas de cervejas:

- um juiz dá uma falta, o comentarista de arbitragem de um canal diz que foi falta, o de outro canal diz que não foi;

- dois contribuintes, exatamente na mesma situação, fazem o pedido de revisão de algum tipo de tributo, um juiz dá ganho de causa ao contribuinte, o outro não só não dá ganho ao contribuinte, como o condena a pagar as custas advocatícias;

- um professor corrige a redação de um aluno e dá uma nota boa, outra diz que ele fugiu do tema e dá um zero;

E assim por diante.

O julgamento é uma atividade subjetiva, por isso existem instituições como os colegiados no nosso judiciário, e por isso também as mesas são compostas por vários juízes nos nossos concursos. E, ainda assim, existe a possibilidade de termos julgamentos muito diferentes. Temos que conviver com isso, mas ao mesmo tempo tomar ações para minimizar eventuais discrepâncias que possam surgir.

Eu estou tentando viabilizar, junto ao BJCP, a possibilidade de realizamos algum treinamento oficial, para que sejam transmitidas orientações aos juízes, e sejam feitas algumas sessões para ‘calibrar’ o entendimento dos juízes num ambiente de treinamento, para que essas diferenças sejam minimizadas na hora de um concurso real.

Pessoal, concluindo, o nosso V Concurso Interno da ACervA Paulista, na minha opinião ele foi UM GRANDE SUCESSO, mesmo com os pequenos problemas que sempre surgem na organização de um evento dessas proporções. Os pontos positivos superaram, em MUITO, as pequenas falhas que porventura tenham ocorrido.

Para finalizar, gostaria de deixar algumas dicas para a diretoria da ACervA Paulista, para que os próximos concursos sejam ainda melhores do que esse:

- Na organização do Concurso Estadual, sugiro que seja previsto no regulamento a montagem de uma mesa Best of Show no final do evento, e que as cervejas sejam classificadas não de acordo com sua nota, e sim de acordo com o consenso dessa mesa;

- IMPORTANTE: sugiro que as mesas tenham 3 juízes ao invés de 4, e que se aumente o número de mesas caso tenhamos um bom número de juízes. Dessa maneira, a carga de trabalho de cada juiz fica menor, e por consequencia o cansaço e as possíveis falhas decorrentes desse cansaço são minimizadas;

Bom, pessoal ! Desculpem o texto longo, mas o evento foi tão importante que não podia deixar passar batido !

Se você leu até o final, parabéns, é só me cobrar quando nos encontrarmos nos ‘EAP’ da vida que pago uma cerveja !

Grande abraço, bons goles e até a próxima !

Feliz Saint Patrick’s Day

Amantes da boa cerveja, feliz Saint Patrick’s Day !

Confesso para vocês que não sou fã desse dia, e nunca na minha vida eu havia tomado cerveja verde até o dia de hoje.

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Tenho amigos que adoram essa data, pelo clima de festividade, principalmente nos Pubs de estilo inglês / irlandês.

Tenho amigos que abominam essa data, que nada mais é – segundo eles – do que uma “pagação de pau” e “babação de ovo” pra gringo.

Cadê o dia do Saci Pererê?

Se bem que quando gringo festeja o carnaval, ninguém diz que é “pagação de pau” para o Brasil…

Ou então acham um sacrilégio usar corante na cerveja e “estragar” a bebida… “Ah, quando a Ambev usa corante nas cervejas escuras, metem o pau, mas aí no Saint Patrick’s Day pode colocar corante…”

Pessoal, relax ! É só curtição, simples assim ! Nada como uma festa para desestressar e esquecer temporariamente os problemas !

Enfim… viva a diversidade ! Cada um tem direito de gostar ou deixar de gostar daquilo que bem entende !

Eu, como não pude ir a lugar nenhum no dia de hoje, resolvi estrear o corante que comprei na 25 de março para o Saint Patrick’s Day de 2014 e ainda não tinha tido coragem de usar !

Com um corante azul mais do que vencido, tingi minha Vedett para ver o resultado. Nenhuma alteração no aroma e no sabor. E o visual ficou bem adequado à data !

1 gota para cada 350 ml é mais do que suficiente !

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Cheers, galera, e até a próxima !

E se você ver um Leprechaun, significa que está na hora de parar de beber !

Abraços!

Wäls e Bohemia – Polêmica Com Fusão !

Amantes da boa cerveja,

hoje o mercado das cervejas artesanais (ou especiais, ou como vocês as chame) acordou com uma notícia bombástica: A WALLS FOI COMPRADA PELA AMBEV !

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Pelo menos essa foi a notícia inicial, que gerou um grande burburinho entre as pessoas que acompanham as notícias ligadas a cerveja.

Depois de respirar um pouco, comecei a dar uma pesquisada sobre o assunto, e o que consegui abstrair de tudo isso foi o seguinte:

A Wäls, micro cervejaria respeitadíssima de Belo Horizonte, talvez a mais premiada micro cervejaria do Brasil, montou uma sociedade com a Bohemia.

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Isso pode ser verificado no vídeo compartilhado no Facebook da Cervejaria Wäls ( Veja o Vídeo !)

Nesse vídeo, Tiago e José Felipe Carneiro, proprietários e fundadores da Wäls, aparecem junto a Daniel Wakswaser, ex-diretor da Bohemia. Nessa sociedade, foi criada uma nova empresa, em que foram unidos os bens da Wäls e da Bohemia, e agora Tiago e José Felipe Carneiro são sócios da Bohemia (e da Wäls), por assim dizer. Não existem maiores informações sobre o nome da nova empresa, a participação societária ou o modus-operandi dessa nova sociedade.

Esse video foi o que bastou para que começassem os argumentos de lado a lado, com muitas pessoas comemorando a notícia e muitas outras decepcionadas com a Wäls. E, já que é assim vou deixar minha opinião (eu sei que ninguém pediu, mas lá vai…)

Eu tive meu primeiro contato com a Wäls em 2010, quando fiz uma compra coletiva de diversos rótulos de micro cervejarias brasileiras. Nessa compra,  comprei cervejas de quatro cervejarias que até então eu desconhecia: Wäls, White Head, Wolkengurg e Rugbeer.

Fiquei muito impressionado com a qualidade das cervejas, em especial da Wäls: as garrafas de rolha, tanto as de 375 ml como as de 750 ml, eram muito bonitas. A variedade de estilos também impressionou: nessa compra, pedi a Dubbel, a Trippel, a Quadrupel, a Bohemian Pilsner e a X-Wäls.

Gostei muito delas, e desde então passei a, de tempos em tempos, comprar novamente algumas cervejas da Wäls e acompanhar a vida da cervejaria, assim como faço com tantas outras cervejarias artesanais das quais sou fã.

Peguei alguns lotes ruins pelo meio do caminho – faz parte – mas no geral a qualidade das cervejas sempre continuou muito, muito boa.

Acompanhei o momento em que eles firmaram o acordo com a DUM e lançaram a Petroleum, cerveja que eu já havia experimentado anteriormente, desde as experiências caseiras da DUM,  e que eu gostava muito.

Também presenciei o início da distribuição da Wäls nas lojas Pão de Açucar, o lançamento do rótulo comemorativo aos 65 anos do Pão de Açucar… enfim, acompanhei muita coisa.

E nisso tudo, acho que o que mais vi foi o trabalho da Wäls. O trabalho dos irmãos Tiago e José Felipe, buscando seu espaço numa área tão competitiva como é o mercado cervejeiro brasileiro.

E a cereja do bolo veio no ano passado, com a impressionante conquista do Ouro pela Wäls Dubbel na World Beer Cup.
(relembre em http://www.beer4free.com.br/blog/?p=33)

Medalha de ouro no estilo Belgian Dubbel
Medalha de ouro no estilo Belgian Dubbel

Por tudo o que foi exposto, posso afirmar o seguinte: eu, Giuliano, não creio que a Wäls (Tiago e José Felipe) estejam entrando nessa parceira (apenas) por dinheiro.

Eles não iriam jogar no lixo toda uma história de 15 anos construída com suor e amor pela cerveja, e creio que não entrariam nessa se não tivessem garantias de que poderão continuar a tomar as decisões referentes a seus produtos, mantendo o padrão de qualidade que fez com que eles chegassem aonde chegaram.

O mercado nacional tem um histórico que já deu certo, que é o caso da compra da Eisenbahn e da Baden Baden pela Schincariol, cujo grupo depois foi comprado pela Brasil Kirin: as cervejas continuam boas, muito boas, sendo que algumas pessoas chegam até a dizer que melhoraram depois da chegada da Kirin. Eu, particularmente, acho toda a linha da Eisenbahn simplesmente fantástica, e o custo-benefício então nem se fala:  excelentes cervejas a preços super acessíveis !
eisenPor que a história não pode se repetir? Ah, mas é a AMBEV! (O demônio para muitos cervejeiros)

Da mesma maneira que eu acho que os irmão Carneiro não entraram nessa (apenas) pelo dinheiro, eu tenho certeza de que a Ambev não entrou nessa pelo dinheiro.

Estamos falando de um mercado que, no Brasil, representa por volta de 1% !

“Ah, mas vai crescer e muito!”

Concordo. Se crescer 30% esse ano, estaremos falando de 1,3% no final do ano. Não creio que em 15 anos chegue a 10%.

A Ambev não entrou pelo dinheiro. E também não foi porque as artesanais “estão incomodando” (ainda estão longe disso). Na minha opinião, a Ambev está apenas se preparando para o futuro, e percebe que esse mercado realmente vai crescer muito. Ela está se adequando a uma nova realidade. Mas ela também deve ter percebido que a qualidade das cervejas é MUITO importante (mais uma vez podemos citar os casos da Banden Baden e Eisenbahn, que mantiveram seu padrão de qualidade).

O mercado cervejeiro, no tocante a cervejas especiais, tem se tornado muito exigente, e colocar nesse mercado produtos com qualidade duvidosa é muito perigoso. Se isso acontecesse, é provável que afetasse negativamente as duas marcas (Wäls e Bohemia), portanto creio que a Bohemia (Ambev) se empenhará em levar ao mercado produtos, pelo menos nessa parceria com a Wäls, de muita qualidade.

E, finalmente, a questão mais importante: a cervejaria é dos caras ! Ponto. Se eles a tivessem vendido apenas pelo dinheiro (o que não aconteceu na minha opinião), parabéns para eles que conseguiram construir um negócio que chamou a atenção de uma empresa do tamanho da Ambev.

No video de divulgação, eles alegam ter o “sonho levar a paixão da cerveja para casa de cada vez mais brasileiros“.

Sonhos à parte, com essa parceria eles terão farto acesso a matéria-prima, a equipamentos, a processos de produção mais maduros, à possibilidade de produção numa escala muito maior do que a que produziam, e a uma incrível rede de distribuição, que possui uma capilaridade que a Wäls nunca conseguiria alcançar sozinha.

E, no final das contas, as coisas até que são simples: o mercado se ajusta. Você compra mais uma vez ou duas… se a qualidade cair ou algo mudar, você simplesmente passa a comprar de outra marca. Simples assim. Hoje em dia, graças a São Gambrinus, o que não falta no Brasil são boas opções de cervejas especiais para se comprar !

Na minha opinião, ainda é cedo para dizer se isso será bom ou ruim para o consumidor final e para o ramo cervejeiro como um todo. Apenas o tempo dirá ! Mas ambos lados da sociedade, Bohemia e Wäls, tem tudo nas mãos para fazer um grande trabalho e ajudar ainda mais na fomentação do mercado cervejeiro. Nessa balança, eu confio muito mais no lado dos irmãos Carneiro do que na Bohemia, e espero que eles continuem o ótimo trabalho que fizeram até então, e não se deixem contaminar por eventuais limitações que uma corporação do tamanho da Ambev pode impor – todos sabemos da obsessão de Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira quando o assunto é “cortar custos”.

A primeira cerveja a ser lançada por essa parceria será a Saison d’Alliance, que levará sálvia, gengibre e hortelã e será fermentada com uma cepa da região da Valônia, a mesma utilizada na produção da marca Leffe. Deve ser lançada no próximo mês !

Esperemos com OTIMISMO ! Talvez algum dia ainda tenhamos uma Wäls Dubbel ou uma Wäls Niobium em algum boteco perto de casa por um preço justo… aguardemos !

Boa sorte, Wäls! Boa sorte, Bohemia, mas estamos de olho em você.

Boa sorte, Daniel, não deixe o tamanho da Ambev esmagar o que a Wäls já construiu até hoje !

E boa sorte, Tiago e José Felipe, vocês merecem.

irmaoscarneiro
Bons goles e até a próxima ! E se você leu esse Post até o final, muito obrigado !

PS: Espero que as cervejas produzidas por essa nova parceria sejam melhores que o video tosco produzido para divulgar a nova parceria… hahahahaha
:)

Da Lata !

(Baseado em matéria do site Isto É : Dinheiro)

Amantes da boa cerveja, a cor vermelha das latinhas já pode voltar a ser utilizada pela Itaipava.

Após uma briga judicial que vinha se arrastando desde 2011, a Cervejaria Petrópolis, que produz a Itaipava, teve uma vitória no STJ, que reviu o acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que proibia a empresa de utilizar essa cor em suas latinhas.

A Ambev alegava que a cor vermelha da Itaipava confundia o consumidor, pois a Brahma tinha acabado de mudar a cor de suas latinhas e havia lançado uma peça publicitária.

A Cervejaria Petrópolis recorreu ao STJ, e o ministro João Otávio de Noronha, relator do recurso, considerou que cor não é marca. Ainda segundo esse ministro, é plenamente possível a convivência de produtos de empresas concorrentes que utilizem embalagem da mesma cor.

“Portanto, o fato não enseja a confusão entre as marcas Brahma e Itaipava, sobretudo quando suficientemente conhecido e diferenciado o seu principal e notório elemento distintivo: a denominação”, afirmou.

Pois bem, amantes da boa cerveja, essa foi mais ou menos a matéria que li no site da Isto É.

Mas creio que cabem aqui algumas considerações: sem entrar no mérito da qualidade das cervejas envolvidas ou preferências pessoais, eu me pergunto: será que as grandes cervejarias nacionais não deveriam dar um maior valor ao conteúdo, ao produto em si, à cerveja propriamente dita, do que às campanhas publicitárias e às cores que serão utilizadas nas embalagens em que as cervejas são vendidas?

A Ambev, no último ano, começou a olhar com mais atenção para a produção de cervejas diferenciadas, com os lançamentos da Bohemia que apresentou algumas novas cervejas: a Bela Rosa, uma Witbier com pimenta rosa; a Jabutipa, uma IPA com jabuticaba; a Caá-Yari, uma Belgian Blonde Ale com erva mate, essas três em chope. E a mais complexa delas, a Bohemia Reserva, uma English Barley Wine lançada numa edição limitada com garrafas numeradas.

bohemiasnovas

Uma ótima iniciativa para uma empresa do tamanho da Ambev, que parece começar a perceber a importância das cervejas especiais.

Mas, voltando à briga entre Ambev e Itaipava, na minha época (ah, como eu estou ficando velho) latinha vermelha era sinônimo de cerveja do estilo Bock !

A Kaiser, na época, fez tudo como manda o figurino: montou uma bela campanha publicitária, mas também acompanhada de um excelente produto (quem não se lembra daquele jingle que grudava na cabeça… Ô ô ô Kaiser Bock… Ô ô ô Kaiser Bock… )

kaiserbock
Essa, sim, a verdadeira lata vermelha!

Por muitos anos, a Kaiser Bock continuou sendo lançada durante os meses de inverno e, apesar de não ser a melhor Bock do mundo, é uma excelente cerveja com um custo benefício espetacular !

Pra matar a saudade reveja o jingle !

Infelizmente, no ano passado, ela não foi lançada, e temo que em 2015 a história se repita… espero que não !

Na minha opinião, a campanha publicitária é muito importante, mas ainda mais importante é o produto final que ela anuncia.

Será que, ao invés das macro-mega cervejarias perderem tempo (e dinheiro) brigando na justiça até a última instância (será que isso chegará ao Supremo?), não teria sido melhor investir seu tempo na criação de novos produtos?

Tenho a plena convicção de que todos os que eu conheço que apreciam cerveja teriam o mínimo de curiosidade de experimentar, nem que fosse ao menos uma única vez, uma Brahma IPA, ou uma Brahma Witbier.

O pessoal da velha guarda (alguns tios e velhos conhecidos – velhos no quesito idade… hehehe) me conta saudoso como era boa a Brahma Porter ! Por que não trazê-la de volta à vida?

Brahma Porter no Brasil, por enquanto só assim – vejam o divertido post do Homini Lúpulo:
http://www.hominilupulo.com.br/universo-da-cerveja/ambev-brahma-porter-substitui-malzbier/

A Ambev até já produz alguns estilos diferentes em outros países, como no Chile, por exemplo, onde realmente existe a Brahma Stout e a Brahma Porter… por que não fazer o mesmo aqui no Brasil?

Elas "equixistem" sim !
Elas “ecxistem” sim !

Creio que essas ações seriam muito mais inteligentes do que ficar congestionando o nosso sistema judiciário com questões de menor importância: o bebedor não está interessado se a cerveja que ele bebe vem numa lata vermelha, preta, azul ou branca.

O importante é oferecer um produto honesto, de qualidade e a um preço justo para o consumidor final.

É isso aí, pessoa ! Cheers !

Bons goles a todos (em garrafa, em chope ou latas de qualquer cor) e até a próxima !